sábado, 23 de maio de 2009

Brasil noveleiro

Como diz Anamaria Fadul(pesquisadora de telenovelas da USP):

"Em nenhum lugar do mundo a ficção da TV tem tanto espaço no horário nobre e impacto público"

E para provar que ela estar certa basta ver que de repente as pessoas passaram a usar jóias iguais a da Maya(Juliana Paes) de Caminhos da India ou ainda basta se lembrar como aumentou a procura por aulas de dança do ventre na época de O Clone ou ainda de como o país parou pra ver o último capitulo de A Favorita.
Mais as novelas não servem apenas pra ditar moda servem tambem pra falar de corrupção,ecologia,copa do mundo...até MST já foi tema de novela
Exemplos abaixo:

1970-Irmãos Coragem
No auge da repressão da ditadura militar, o garimpeiro Jerônimo Coragem (Antônio Fagundes) entra na política para lutar contra um latifundiário que, apoiado pela polícia corrupta, dita a lei da cidade de Coroados.Na vida vida real na eleição legislativa de 1970, milhares de pessoas escreveram o nome de Jerônimo na cédula eleitoral. Exibida na época da Copa do México, a novela mostrou ainda a corrupção no futebol.

1974-O Espigão
A trama girava em torno da construção de um hotel de 50 andares no Rio de Janeiro, que destruiria a Mata Atlântica e uma mansão. Foi uma das primeiras novelas a falar do crescimento desordenado das metrópoles, popularizando palavras como “ecologia” e “ecossistema” – por isso, sofreu resistência por parte de anunciantes ligados à construção civil.

1975-Escalada
A trajetória do caixeiro-viajante Antonio Dias (Tarcísio Meira) mostra momentos históricos do País, como a criação de Brasília. Ao falar da crise entre Dias e sua mulher (Suzana Vieira), a trama fez polêmica sobre o divórcio. Dois anos depois, a Lei do Divórcio foi aprovada.

1985-Roque Santeiro
Após ter 30 capítulos censurados em 1975, por ter sido inspirada numa peça de esquerda de Dias Gomes, a saga de Roque virou sucesso. Em Asa Branca, gente como Sinhozinho Malta sobrevive por causa do mito em torno de um falso herói. A cidade era uma paródia do Brasil e seu hábito de misturar misticismo, religião e política.

1988-Vale Tudo
Ao som de “Brasil, mostra a tua cara” na abertura, a novela escancarou a falta de ética e o pouco valor da honestidade por aqui. Já no primeiro capítulo, Maria de Fátima (Glória Pires) vende a casa da mãe (Regina Duarte) e a deixa na miséria. A trama também mostrou, pela primeira vez, o preconceito contra o homossexualismo feminino. E fez o Brasil parar para descobrir quem era o assassino de Odete Roitman.

1989-Que rei sou eu?
No fictício reino de Avilan, em 1786, os políticos da corte lutam para que o filho bastardo do rei não tome o poder. No ano da primeira eleição presidencial do Brasil depois de 30 anos de ditadura,o enredo mostra episódios que misturam ficção com a crise política brasileira, como corrupção, inflação, congelamento de preços, moedas que mudam de nome e outros planos econômicos furados.

1991-O dono do mundo
No auge do governo Collor, Felipe Barreto (Antonio Fagundes) aposta com seu secretário que conseguirá desvirginar a noiva de um dos seus funcionários (Malu Mader) antes da noite de núpcias dela. No quarto capítulo, ele vence a aposta, mas a falta de ética é demais para o público. A audiência cai 13 pontos e a novela passa por uma transformação para continuar.

1996-Rei do gado
Logo após a morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), o MST virou tema da novela das 8. Luana (Patrícia Pillar) vive o dilema de participar do movimento e estar apaixonada por um fazendeiro. A novela recebeu desagravos oficiais do Senado Federal por criticar a falta de ação dos senadores.

2003-Mulheres apaixonadas
Auge do realismo nas novelas, a trama reuniu diversos problemas que atingem a classe média: alcoolismo, violência contra a mulher, ciúme, violência urbana e câncer de mama. Pela primeira vez, um casal de lésbicas não foi rejeitado pelo público. Enquanto o Congresso montava o Estatuto do Idoso, a novela mostrava um casal de velhinhos sendo mu tratados pela neta.

6 comentários:

Gregory Vancher disse...

Incrível o poder destas obras de ficção na mente de seus expectdores.
Muito bem feita a matéria. E muito interessante também. Um belo trabalho de pesquisa, parabéns pelo resultado.

┼ Røgériø Lima ┼ disse...

Verdade, estas novelas pegam as pessoas de uma forma surpreendente, quem no Brasil não gosta de novelas!!! Eu mesmo assisto.

Unknown disse...

eu nem assisto novela,é tudo a mesma coisa,muito tosca --'

e eu não gosto de novela,se você se surpreende com uma besteira assim,sei não viu.

~ Catarina Ribeiro ~ disse...

É a tv é um dos maiores meios de comunicação e uma das maiores formadoras de opiniões,sendo elasboas ou ruins!

CAMILA de Araujo disse...

Na verdade, todo o poder da mídia é muuuuuuuito grande.
Mas com certeza o impacto das novelas na população é muito grande, até pq atinge desde as camadas mais carentes até as mais abastadas da população.

www.conto-um-conto.blogspot.com

Israel disse...

Acho que vc poderia ter sido mais ácido nesse texto.